Wednesday, January 05, 2005

SUBURBIA AMERICANA I

(escrita há cinco anos, em Pittsburgh, mas ainda válida...)

Há alguns anos mudei-me de armas e bagagens para os Estados Unidos. Depois de quase 50 anos de Zona Sul vim parar, por artes do destino, 30 milhas ao norte de Pittsburgh, morando a mais de 10 horas de carro da praia mais próxima, o que para mim é bastante estranho, mas também a mais de 100 horas da favela mais próxima, o que é mais estranho ainda para quem morara nos 13 últimos anos em São Conrado.

As coisas são realmente diferentes por aqui. Pobre é quem só tem um carro. Nas cercanias de Pittsburgh, que já foi a capital do aço (hoje somente as sedes das empresas estão por aqui) há, pelo que dizem, poucos sem-teto. Dizem. Eu, nunca vi nenhum. Aliás, depois de um inverno inteiro como o do ano passado - o pessoal por aqui diz que foi sopa – quando, durante três meses a temperatura máxima foi de 3 graus e a média foi de menos 5, é difícil acreditar que existam muitos "homeless" vivos na primavera.

Bem, como ia dizendo, as coisas por aqui são diferentes. Melhores ou piores, depende da perspectiva, mas diferentes. Por exemplo, com exceção das cidades grandes como Nova York, Los Angeles ou Chicago, os americanos, de engarrafamento, não entendem nada. Também nunca pegaram um Aterro ou uma Marginal em dia de chuva forte às 6 e meia da tarde. Em compensação outro dia eu fiquei parado uns 10 minutos quando ia para o trabalho. A razão: um reboque, com uma casa inteira, não estava conseguindo fazer uma curva e parou no meio da estrada. Quase que bateram no sujeito. Eu tive até que dar uma freada, coisa que é muito raro por aqui já no transito eles são muito disciplinados. Mas a raiva foi grande. Já pensou você chegar tarde para o trabalho e dizer que bateu numa casa que ia passando…

Apenas uma observação: foi difícil me conter para não passar pelo acostamento. Mas, como ninguém fazia isso e todos esperavam pacientemente pela solução do problema, resolvi ficar na minha. E foi bom porque logo apareceram dois ou três carros da polícia. Imaginem se eu tivesse me metido a engraçadinho. Estava preso até agora.

Por falar em transito, um exemplo admirável embora difícil de se tornar prático no Brasil, é o das escolas. Nos Estados Unidos os ônibus escolares são todos iguais, amarelos com letras pretas e têm portas dos dois lados. Quando eles param para pegar ou largar os alunos, "todos" mas "todos" os carros, dos dois lados da rua, param. Se não é cadeia. Além disso, cerca de 500 metros antes e depois das escolas, há um sinal luminoso que alerta, velocidade máxima 15 milhas (24 km/h). E isto durante a meia hora que antecede ao horário de entrada e na mais hora depois da saída. E todo mundo respeita.

Como vocês podem ver, as coisas são diferentes por aqui. Não é que eu tenha me tornado um "expert(o)" em Estados Unidos. Não. Aliás acho que nunca vou entendê-los completamente. Aliás, acho que vou. No dia em que entender como que aos 18 anos é mais fácil para um garoto comprar uma arma do que beber uma cervejinha com os amigos num bar (impossível). Quando eu entender isso vou realmente me considerar um entendido (ôpa !) em Estados Unidos e nos norte-americanos.

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