Um herói!
Uma das coisas que fica clara para mim, depois de tantos anos morando fora, é que o brasileiro não entendeu até hoje o significado da palavra Não. Por aqui as pessoas não aceitam um não, sempre acham que o não não é definitivo. Se por um lado isto moldou nossa forma de ser e de viver, que muitas vezes é mais alegre e animada do que a de outros povos, por outro lado tramnsformou-nos nesta confusão, nesta casa de mãe-Joana onde ninguém tem autoridade para proibir nada.
Por aqui não existe tolerância zero. E, às vezes, ela é necessária. Aqui é a terra de que as leis "não pegam", onde a contravenção é tolerada ("não faz mal a ninguém" dizem seus defensores) onde os pequenos crimes são tolerados (mas não os crimes pequenos, como roubar um pão...).
Por isso mesmo meu novo herói é a pessoa que proibiu, no último dia 31, a queima de fogos na Barra da Tijuca porque as balsas estavam muito perto da praia. Imagino as pressões que deve ter sofrido. Que "era um vez só", que "as pessoas haviam vindo de longe", que "não fosse um estraga-prazer", etc... Mas esta pessoa manteve-se firme e proibiu.
Intolerante, dirão alguns. Corretíssimo respondo. É de pessoas assim que precisamos, que saibam dizer não, respeitar as regras e ter coragem de fixar posições.

